sábado, 2 de julho de 2011

Programa Head start nas populações nativas indígenas americanas e do Alasca.

O sucesso escolar, evidenciado pelos anos de escolaridade e pelos resultados nas avaliações escolares é uma área onde as disparidades emergem cedo nas populações dos Estados Unidos da América.
         É entre as populações nativas indígenas americanas e do Alasca que se observa grandes disparidades no que respeita aos cuidados de saúde e aos indicadores sócio-económicos. Para as crianças destas civilizações as elevadas taxas de pobreza, violência, mortes precoces e cuidados de saúde inadequados representam grandes obstáculos para o seu desenvolvimento.
         Como um dos principais esforços para ultrapassar as lacunas iniciais do desenvolvimento das crianças, o programa Head start procura reunir as necessidades educacionais, sociais, económicas e de saúde, de crianças do pré-escolar com baixo rendimento, através da educação e desenvolvimento na primeira infância, serviços médicos, odontológicos e de saúde mental, e através do envolvimento parental no desenvolvimento delas.
         Resultados dos estudos do impacto do programa Head start, das experiências da família e da criança e da avaliação nacional dos primeiros Head start, têm mostrado que a intervenção precoce nas crianças faz toda a diferença nas suas vidas, tanto a curto como a longo prazo.

Desenvolvimento Pessoal Freud

Freud acreditava que a personalidade é moldada pelas primeiras experiências, quando as crianças passam por um conjunto sequencial de fases psicossexuais. O termo psicossexual deriva da ideia de que a libido, que é claramente uma energia sexual, é localizada em regiões corporais diferentes, conforme o desenvolvimento psicológico progride.
      Segundo este autor, a sexualidade cria vínculos, mas não está só relacionada com o acto sexual, mas sim com tudo o que cause prazer (como comer quando se tem fome; beber quando se tem sede, etc.).
      Três áreas corporais, que Freud chamou de zonas erógenas - boca, ânus e genitais -, respondem intensamente à estimulação de prazer. Em cada fase de desenvolvimento, uma zona é especificamente influente. As pessoas derivam o prazer predominantemente daquela zona e buscam objectos ou actividades correspondentes. Ao mesmo tempo, surgem conflitos. Se as crianças são mimadas ou carentes e frustradas indevidamente em qualquer estádio, então podem resolver conflitos. Consequentemente, o seu desenvolvimento é detido e a libido é fixada naquele estádio.
      A fixação refere-se a deixar parte da libido permanentemente investida num nível de desenvolvimento específico. Quando a fixação ocorre, o comportamento posterior é caracterizado por modos de obter satisfação ou reduzir a tensão, ou por outros traços ou atitudes típicos do estádio em que a fixação ocorreu. Freud acreditava que alguma libido fosse fixada inevitavelmente em cada fase. Com as pequenas fixações usuais, as migrações para comportamentos posteriores são menores. Com o excesso de frustração ou indulgência, fixações bastante substanciais podem ocorrer e a personalidade pode ser dominada por padrões das primeiras fases.
     De acordo com Freud, as crianças passam por quatro fases psicossexuais - oral, anal, fálica e genital - além de um período de latência. Estas encontram-se explicadas no quadro que se segue:

1.      Estádio anal: Este estádio inicia-se desde o nascimento até aos 12/18 meses de idade. Neste altura a zona erógena, nos primeiros meses é constituída pelos lábios e cavidade bocal. A alimentação éuma grande fonte de prazer.
2.      Estádio anal: Inicia-se dos 12/18 meses ate aos 2/3 anos. O desenvolvimento psicomotor vai permitir a criança reter ou expulsar as fezes e a urina. A estimulação da região anal e da mucosa intestinal da prazer á criança.
3.      Estádio fálico: Inicia-se dos 3 anos ate aos 5/6 anos. A zona erógena é o orgao sexual. É o orgao sexual a fonte de prazer sendo comum a sua manipulação.
4.      Estádio de latência: Inicia-se dos 5/6 anos até à puberdade. Caracteriza-se por uma diminuição da actividade sexual, que pode ser total ou parcial. Desenvolve competências e aprendizagens diversas, tanto a nível escolar como, social, cultural, …
5.      Estadio genital: Depois da puberdade. Reactiva a sexualidade que esteve adormecida no período de latência.

      Para o autor, a grande diferença entre a sexualidade infantil e a adulta é a intencionalidade.
            A compreensão das diversas fases, tem um papel essencial na forma como, na nossa vida profissional, iremos lidar com as crianças, na forma como estas se relacionarão entre si durante as aulas, a razão pela qual abordam – se umas às outras, aos educadores e à própria escola e treino em si.

Desenvolvimento Pessoal Erikson

Influenciado pelo pensamento de Freud, Erikson vai no entanto afastar-se das teorias freudianas ao ter em atenção que a sociedade e a cultura vão colocar novos desafios à medida que as pessoas se desenvolvem. Defende que as mudanças no desenvolvimento ocorrem ao longo de todo o ciclo da vida, sendo importante procurar saber quais as estratégias, as respostas e os recursos que vão sendo mobilizados quando novos e diferentes problemas se vão colocando às pessoas.
Este autor preconiza 8 fases ou estádios de desenvolvimento, que vão do nascimento à morte. Cada estádio se caracteriza pela resolução duma crise ou conflito, que ocorre entre duas vertentes antagónicas. Para cada fase ser resolvida com sucesso e permitir a passagem com sucesso à fase seguinte, a crise deve ser resolvida prevalecendo a vertente positiva. Por outro lado em cada novo estádio vai existir uma nova confrontação crítica entre o eu que o indivíduo atingiu até aí e as várias exigências colocadas pelo contexto social e pessoal.    
desenvolvimento psicossocial inclui as mudanças nas interacções e compreensão dos outros, bem como o conhecimento e compreensão de nós próprios como membros da sociedade.
Erikson atribui importância às tarefas desenvolvimentistas da idade adulta (depois dos 18 anos), com especial incidência nas dimensões que respeitam à família, ao mundo do trabalho e à participação na comunidade.
Toda esta divisão e caracterização de estados, permite – nos a nível profissional, compreender a abordagem dos atletas, a forma como estes respondem ao treino ou aos agentes que com eles interagem e, tentar da melhor forma, lidar com tais episódios e potencializar ao máximo as virtudes de tais estados.
  
Estádio

Idade
Resultados positivos
Resultados negativos

Confiança Vs. Desconfiança

0 – 18 meses
Sentimentos de confiança no apoio da mãe e do meio em geral.
Medo e preocupação relativamente aos outros; desconfiança.

Autonomia Vs. Vergonha e dúvida

18meses – 3 anos
Auto-suficiência se a exploração do meio for encorajada
Dúvidas sobre si, pouca autonomia perante as tarefas próprias da idade.

Iniciativa Vs. Culpa

3 – 6 anos
Descoberta de novas acções e de meios para as iniciar.
Culpabilidade por acções e pensamentos.

Competência Vs. Inferioridade

6 – 12 anos
O sentido de competência é desenvolvido.
Sentimentos de incapacidade e de inferioridade.

Identidade Vs. Confusão de papeis

Adolescência
(12 – 18 anos)
Consciência da unidade do eu, conhecimento do papel a seguir
Incapacidade de identificar os papeis de vida


Intimidade Vs. Isolamento

Jovem adulto
(18 – 30 anos)
Desenvolvimento de relações amorosas e sexuais e de amizades próximas
Medo das relações com outros


Produtividade Vs. Estagnação

Adulto
(30 - 65 anos)
Sentimento de contributo para a continuidade da vida (na família e sociedade)
Centração nas actividades próprias

Integridade Vs. Desespero

Velho
(depois 65 anos)
Sentido da coerência da sua própria vida, orgulho pelas suas realizações
Arrependimento pelas oportunidades de vida perdidas.

Na teoria de Erikson em cada a resolução da crise que caracteriza cada estádio permite o desenvolvimento duma virtude. As virtudes são a esperança, a vontade, o propósito, a competência, a fidelidade, o amor, o cuidado e a sabedoria.

Desenvolvimento na adolescência

Desenvolvimento físico na adolescência:
Adolescência significa crescer ou desenvolver-se até à maturidade. Durante muitos séculos, o termo adolescência foi definido quase que exclusivamente em função dos aspectos biológicos. Adolescência e puberdade eram usadas como palavras sinónimas.
Actualmente, entretanto, a adolescência deixou de ser um conceito puramente biológico e passou a ter, sobretudo, uma conotação psicossocial. É baseado neste conceito que Munuss (1971) define adolescência em termos sociológicos, psicológicos e cronológicos.
·         Cronologicamente – Nas culturas ocidentais é o período da vida humana que vai dos 12 ou 13 anos até mais ou menos aos 22 ou 24 anos de idade, admitindo-se consideráveis variações de ordem individual e, sobretudo, de ordem cultural.
·         Sociologicamente – Período de transição em que o individuo passa de um estado de dependência do seu mundo maior para uma condição de autonomia e, sobretudo, em que o individuo começa a assumir determinadas funções e responsabilidades características do mundo adulto.
·         Psicologicamente – Período crítico de definição da identidade do “eu”, cujas repercussões podem ser de graves consequências para o indivíduo e a sociedade.
A adolescência é, também, um período de mudanças significativas na vida humana. Hurlock refere quatro mudanças de profunda repercussão nessa fase:
1)      Elevação do tónus emocional
2)      Amadurecimento sexual
3)      Mudanças no seu corpo, interesses e funções sociais
4)      Alteração do sistema de valores

Mudanças fisiológicas:
São muitas e profundas as mudanças fisiológicas e estruturais que ocorrem no corpo das raparigas e rapazes adolescentes.
É na fase da puberdade que:
·         Ocorre um conjunto de transformações no sistema reprodutor (aparecimento da primeira menstruação nas raparigas e possibilidade da libertação de esperma – ejaculação – nos rapazes)
·         Desenvolvem-se os caracteres sexuais secundários (traços físicos que distinguem os homens das mulheres, que não estão directamente envolvidos na reprodução)
Problemas específicos das raparigas nesta idade:
·         Reacção á menarca
·         Desenvolvimento dos seios
Problemas específicos dos rapazes nesta idade:
·         Maturação tardia
·         Tamanho do pénis

Implicações:
É comum verificar-se diferenças de personalidade entre adolescentes com maturação precoce e maturação tardia, os rapazes com maturação precoce revelam-se mais autoconfiantes do que os com maturação tardia.
As diferenças de personalidade entre adolescentes com maturação precoce e maturação tardia devem-se em grande parte à forma como são tratados. Por exemplo se os pais e professores olharem para a maturação precoce/tardia como uma característica negativa, os adolescentes com maturação precoce/tardia podem ser afectados negativamente.
Nesta fase da adolescência é importante acompanhar correctamente tanto os rapazes como as raparigas para que a sua confiança não seja afectada negativamente. Os pais e educadores tem um papel fundamental durante esta fase.
Nota:
No âmbito da nossa prática profissional estes conteúdos revelam-se de grande importância para sabermos como agir em situações que envolvam adolescentes. Ajuda-nos a compreender as suas frustrações e limitações e a lidar com elas da melhor forma no âmbito de uma aula.

Desenvolvimento na infância

Desenvolvimento físico:
Quando nasce, a cabeça do bebé representa ¼ do comprimento total, os olhos têm metade do seu tamanho final e o corpo representa 1/20 da estatura final do adulto.
O peso do recém-nascido varia de acordo com o estado socioeconómico e nutricional da mãe no entanto um recém-nascido com baixo peso pode recuperar o seu peso e o seu tamanho apesar de que de uma forma geral as crianças com baixo peso a nascença raramente igualam as curvas de crescimento dos recém - nascidos normais apenas conseguem aproximar-se dessas curvas.
Após o nascimento, há padrões definidos de crescimento físico e de aumentos nas capacidades motoras e cognitivas, existe constantemente uma evolução do mais simples para o mais complexo.
Nota:
Na nossa prática profissional devemos ter em atenção estas informações quando leccionarmos um novo conteúdo, devemos ter sempre a preocupação de partir dos aspectos mais simples para os mais complexos.
Desenvolvimento motor:
No que diz respeito ao desenvolvimento motor, existe uma sequência na aprendizagem das capacidades motoras: os bebés seguram a cabeça antes de se sentarem sem apoio, sentam-se antes de gatinharem, e gatinham antes de andarem. A idade pode mudar ligeiramente, mas a sequência é a mesma para todas as crianças. Note-se que a prática precoce é um factor chave para a manutenção e futuro desenvolvimento de acções.
O desenvolvimento motor rege-se por três regras gerais:
·         Progressão céfalo-caudal
·         Progressão proximodistal
·         Progressão de acção concentrada para especifica
Isto é, o bebé tem mais controlo motor sobre a cabeça do que sobre os músculos mais abaixo, movimenta melhor o tronco e só depois os braços e as mãos, e primeiramente executa acções grosseiras, difusas e não diferenciadas passando depois a executar acções mais precisas e específicas.
Note-se que o desenvolvimento é contínuo mas nem sempre uniforme e gradual. Há períodos de crescimento físico muito rápido – nos chamados surtos de crescimento - e de incrementos extraordinários nas capacidades psicológicas.
Myrtle Macgraw, conclui que existem certos períodos na vida óptimos durante o desenvolvimento, ou seja existem períodos críticos em que uma dada actividade é mais susceptível á modificação. Ele defendia que forçar uma criança a empenhar-se em actividades antes do período critico era inútil e prejudicial.
O conhecimento destes períodos críticos, no âmbito da nossa actividade profissional, permite-nos saber qual a melhor altura para desenvolver certas capacidades motoras e cognitivas retirando assim o melhor proveito da sua aprendizagem por parte do aluno ou atleta.

Desenvolvimento sensorial:
Paladar – Quando nascem, os bebés têm um paladar bastante aprimorado, é o sentido mais       apurado á nascença.
Olfacto – Os bebés reconhecem, desde cedo, o cheiro da mãe e do seu leite.
Audição – Os bebés têm uma audição muito sensível.
Visão – Quando nascem, a sua visão é desfocada, mas à medida que crescem, vêm cada vez com maior nitidez. Estudos mostram que os bebés preferem rostos humanos a qualquer outro tipo de desenho ou imagem.
Percepção da profundidade – A partir das duas semanas de vida, os bebés já tem a percepção da profundidade, sabendo se estão em perigo de cair ou não.


Tacto – No que se refere aos sentidos cutâneos responsáveis pela sensibilidade ao tacto, à pressão, à dor e à temperatura, o padrão parece semelhante ao já visto em outras ocasiões: estes sentidos são funcionais desde o momento do nascimento, embora a sensibilidade cutânea aumente durante os primeiros dias e semanas após o nascimento. Os recém-nascidos são também sensíveis ao ritmo (ao embalar, a palmadinhas no rabo).

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O estruturalismo

            O estruturalismo ou associacionismo foi uma corrente fundada por Wundt, um dos pais da moderna psicologia experimental. Esta corrente, tem como objecto de estudo, os processos mentais conscientes, usando como médodo, a introspecção controlada.
           
            Wundt decompôs os processos mentais,  em elementos mais simples, como ideias, pensamentos e sensações e, estudou a forma como estes elementos se inter-relacionam e quais as estruturas a que estão ligados, aquando da sua activação. As experiências sensoriais tiveram assim, uma especial importância na base desta corrente. O estudo das estruturas, às quais se conectam estes mecanismos sensoriais, originou o nome base de estruturalismo.

Gestaltismo

           O Gestaltismo ou, também designada, psicologia da forma, tende a ir em contra às perspectivas contemporâneas, como o construtivismo, defendendo que, o cérebro é um composto dinâmico, que se rege através de princípios de organização perceptual, como a distância e tamanho. Desta forma, oferece uma outra percepção à capacidade mental humana, na medida que, a percepção do objecto deverá ir bastante além das sensações que este lhe proporciona, sendo algo inapto e característico dos processos mentais humanos.
           
          Foi um pequeno fundamento, apresentado por Max Wertheimer, Wolfgang Kõhler e Kurt Koffka.